domingo, 13 de maio de 2007

paletas


Cada retrato da minha vida parece ser pintado com tintas feitas a partir da mistura de saudades e da sensação de que eu levaria o mundo por alguém. Se eu tivesse o poder de fazer que este mundo pesasse menos sobre a face dele, eu o faria, só para ver alegrar este coração.
Dessa vez, na tela pintada de amarelo que é a minha vida, desperta o contorno de um passarinho. A cada instante as iluminações iluminadas parecem mais perto para levar este passarinho, cuja vida parece um dia inteiro: com a luz da manhã, queima uma nova vida, um novo dia. Cadê o dia? ou melhor, cadê a vida? Envelheceu, e a tarde caiu, e o meu sol morreu, recaindo a temida escuridão. Ainda que a lua venha marcar caminho, o breu vem escurecer todas as marcas da melodia que este passarinho expirava, fazendo tudo ficar tão frio...
E eu só peço para que tudo o que me reste não seja apenas o retrato do meu passarinho. Que ele possa primeiro cantar o requiem para todo o amor que eu guardei sem nunca poder ter dito de verdade. Senão não seria o amor naquele em que a gente crê e nos faz encontrar nossa paz. Se eu apenas tivesse palavras eu gritaria todas as coisas bonitas despertadas por cada nota que ele insiste ferozmente em suspirar, antes que eu me sinta como um rio que não consegue encontrar o mar, que apenas corre e procura, procura, procura...

2 comentários:

Isadora disse...

Seus textos são sempre tão confortantes...
Papai?

=]

isa disse...

Canta mais!

=]